quarta-feira, 27 de abril de 2011

Cultura

FESTA DO ROSÁRIO

Na época da escravidão, as festas de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito, eram chamadas de “Festas dos Negros”. Posteriormente, os brancos que foram perdendo seu poder econômico começaram a se infiltrar e a participar das festividades em homenagem a esses santos, tirando-lhes a conotação inicial.
As festas do Rosário acontecem em Minas Gerais desde os primórdios do seu povoamento. No início do século XVIII, foram incorporadas ao ciclo folclórico. Em princípio, são comemoradas de agosto a novembro, mas existem exemplos de comemorações acíclicas. Foram organizadas desde o tempo da mineração do ouro quando também se deu o surgimento das Irmandades de N.S. do Rosário dos Negros. Durante o seu ciclo, acontece o chamado Reinado, que a cada ano é conduzido por um Rei e uma Rainha dos Rosários (eleitos no ano anterior) e sua corte.
Nesta, as guardas estão representadas nos diversos folguedos folclóricos que saem em cortejo pelas ruas da cidade. Estes grupos se apresentam distinguindo-se um dos outros pelas coreografias, indumentárias e pela música que executam durante o bailado. O ciclo se desenvolve conforme a característica local, e a figura do festeiro é importante para a organização das manifestações culturais. Estas ainda são acrescidas por espetáculos pirotécnicos, levantamento de mastros com a bandeira de Nossa Senhora, ornamentação, culinária típica, música, dança e diversas apresentações dos folguedos folclóricos, destacando-se a Congada, Caiapós, Tapuiadas, Tamboril e outros grupos característicos de cada região.
A Congada reúne os grupos de Moçambique, Catopés, Congo, Marujada, Caboclos, Vilão e Candombe. Cada grupo do Congado conta a sua história durante os festejos. As guardas ou ternos de Moçambique e Catopés são responsáveis pela divulgação da história de como a imagem de N.S. do Rosário chegou ao Brasil. Por isso, são os mais importantes.
As guardas de Congo representam a luta em terra de Carlos Magno e dos doze pares de França, buscando a conversão dos mouros, enquanto que as guardas de marujo, representam a conversão dos homens nas águas do mar.
As guardas de cabloco representam a história da conversão de uma tribo indígena e a morte e ressurreição do “Papai Vovô”. As guardas de vilão apresentam uma rica coreografia, com bastões de até 2 metros, numa estilização das lutas travadas pelos negros, aos quais não era permitido o uso de arma branca. As guardas de Candombe são reuniões dos capitães de guarda, que, à batida dos tambores, chamados Jeremias, Santana e Santaninha, fazem a louvação à N.S. do Rosário e homenageiam as almas dos negros escravos.
Os Caiapós contam histórias do rapto de uma bugrinha, e as Tapuiadas, histórias ligadas à conversão dos índios. O desfile dos Ternos de Congada chama a atenção pela cantoria. Já a Embaixada é um dos espetáculos mais empolgantes, sendo um teatro popular de rua, cuja função na catequese do negro foi importante, prestando serviços para ajustar as relações raciais e sociais entre senhor e escravo.
Dentre as manifestações religiosas eruditas da festa do Rosário estão as novenas, ladainha, missa e procissão. Em Belo Horizonte tornou-se famosa a Missa Conga, que é acrescida de rituais e cânticos comandados pela guarda de congos e moçambiques. As festas do Rosário são as mais difundidas entre as de devoção em nosso estado.